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Inflação baixa, Juros menores e expansão do Crédito impulsionam o PIB em 2018.

fev . 26

O cenário otimista para a economia em 2018 (vide “FINANCEIRO ACREFI” edição 51 e 52) tem sido confirmado pela evolução favorável de indicadores de atividade industrial, de varejo, de serviços; também pelo setor externo e trajetória do produto agrícola. O IBC-Br do Banco Central, indicador assemelhado ao PIB IBGE, evoluiu 1,41 % em dezembro 2017 sobre mês anterior, acumulando 1,04% em 2017. Essa aceleração indica trajetória de crescimento mais robusto em 2018, PIB entre 3% e 4%.

A recuperação cíclica da economia, pelo lado do consumo das famílias, continuará favorecida pela gradual recuperação do emprego, maior renda disponível, recuperação da confiança, expansão do crédito e maior propensão ao consumo. Esse cenário terá impulso adicional ao longo de 2018 devido à inflação baixa, juros menores e expansão do crédito; mais estímulos e renda extra de ano eleitoral.

A inflação para 2018 continua historicamente mais baixa com previsão declinante (menor que 4%) na pesquisa FOCUS – BACEN (vide última página). A Ata do COPOM mostrou um Bacen dividido em encerrar o ciclo de corte de juros na reunião de fevereiro (6,75%) ou promover outro corte em março para 6,50%. Mantemos nossa previsão desse corte; que também cresce no mercado futuro de juros.

O crédito é pró-cíclico e tem acompanhado a recuperação da economia e a demanda crescente no comércio varejista. Para tanto contribui a firme redução da inadimplência (vide gráficos abaixo), menor endividamento das famílias, gradual melhoria nas condições orçamentárias e maior confiança.  O “Crédito Recursos Livres Pessoa Física” teve saldo maior em 5,2% em 2017 (vide tabela página 2), e deve expandir entre 7% e 12% em 2018, mantida a tendência de maior crescimento da economia.

Inadimplência total, % Rec. Livres Pessoa Física                               Inadimplência total, % Rec. Livres Pessoa Jurídica

 

Outro impulso virá dos esforços da “redução do custo do crédito” através das ações da Agenda Bacen+  (ver detalhes em http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/c/notas/16376) que além de estimular maior e melhor condição de concorrência entre instituições financeiras de diferentes perfis de oferta e diversa capacidade de aporte de capital e amplitude de atuação; também busca melhor condição de acesso ao crédito através do Cadastro Positivo ampliado que será aprovado no Congresso, melhoria nas condições de serviços e produtos, melhor informação e relacionamento com o cliente.

Por outro lado, ao longo do ano haverá maior volatilidade de expectativas e precificação de risco, principalmente via taxa de cambio. Contudo, o mercado precifica que os riscos podem ser absorvíveis:

1) o risco de forte alta dos juros americanos e redução dos fluxos de capital para emergentes segue sendo evento de menor probabilidade de acirramento em 2018 (para 2019 o risco aumenta). Os principais bancos centrais do mundo indicam que devem manter uma gestão gradual e cuidadosa na normalização das taxas de juros nas economias centrais para evitar movimentos bruscos que possam promover repentina ruptura da “bolha de ativos globais” (expressão nossa). Este seria o risco de romper um ciclo benigno de crescimento global simultâneo, como ficou evidente no recente “crash relâmpago” dos mercados de bolsa de valores americanos com reflexo global. Um susto que trouxe maior cautela na gestão da normalização monetária pelos “policy makers” americanos e europeus.

2) o risco de reversão do resgate fiscal estrutural, através de reformas constitucionais e outras medidas microeconômicas ou de gestão administrativa no setor público. Tema chave e de fundamental importância para a sustentabilidade da dívida pública e das finanças públicas. Com a intervenção na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro o governo federal deixa de buscar aprovar a reforma da Previdência, que tinha baixa perspectiva de aprovação em pleno e acirrado período pré-eleitoral. A Standard & Poor´s já tinha rebaixado a nota de risco de crédito soberano brasileiro e as outras duas Agencias (Fitch e Moody´s) devem anunciar também seu rebaixamento e aumento do risco Brasil. Contudo, os mercados locais e internacionais já tinham precificado a dificuldade de aprovar grandes mudanças constitucionais nesse governo e por hora “aceitam como suficiente” a boa gestão de travessia até 2019 das finanças públicas realizadas pelo Ministério da Fazenda e do Planejamento; apoiados por uma excelente política de estabilização monetária promovida pelo Banco Central, dentro de sua alçada e possibilidade de ação;

3) risco de incerteza sobre a agenda da política econômica futura (2019 a 2022) devido nova configuração eleitoral após segunda condenação de Lula; fato que mudou a cena política com maior pulverização de candidaturas e maior número de postulantes. Nessa nova situação os políticos percebem um novo “ponto zero” onde há possibilidade para novos e diversos entrantes na aspiração de ser o novo presidente do Brasil. Inclusive com Temer buscando ter cacife na negociação de poder nessa “ciranda eleitoral”. Essa percepção de “espaço em aberto” levou inclusive o atual governo a trazer uma “agenda alternativa” dos 15 pontos de ação anunciados. Pode caber a crítica de que muitos deles tratam de ações já em curso no Congresso ou pauta já existente. Contudo, fato positivo, por exemplo, é que medidas importantes da agenda Bacen+ que viabilizam avanços na redução do custo de crédito e melhoria no perfil de oferta por parte das instituições financeiras terão maior avanço, trazendo incentivos para o desempenho da economia neste e nos próximos anos.

Entre os três, o principal risco do cenário é a incerteza maior com relação a eleição de outubro e suas consequências para a política econômica a partir de 2019. Contudo, há uma avaliação crescente no mercado e entre parte da sociedade de que há menor espaço para posturas radicais, aumentando chance de eleger um governo que mantenha consistência na política econômica. Isso tem balizado certa estabilidade nos mercados.

Contudo, se houverem expectativas frustradas sobre o resultado das eleições, combinadas com uma deterioração do cenário global, poderá haver importante aumento do risco país com efeitos na taxa de cambio e expectativas na economia em geral. Esse é um cenário de baixa probabilidade de ocorrência a julgar pela precificação dos mercados e analistas.

De qualquer forma, há maior do que menor probabilidade, que seja um ano de maior risco e volatilidade. Isso requer que “euforias sejam contidas” e o consumo e crédito sejam realizados com consciência de orçamento pelo consumidor, e gestão consciente do risco de crédito concedido pelas instituições financeiras.

 

2 – Evolução do Crédito no Sistema Financeiro Nacional (BACEN) – itens selecionados

 

3 – Indicadores financeiros & Projeções Pesquisa Focus (BACEN) e ACREFI

 

Informação Importante – O conteúdo acima não está vinculado a quaisquer operações de compra, venda, oferta e/ou participação em negócio financeiro.  Seu objetivo único é fornecer informações macroeconômicas que foram extraídas de fontes públicas consideradas confiáveis e complementadas pelo autor indicado acima que é responsável, por refletir de forma precisa, única e exclusiva, suas visões e opiniões pessoais, que foram produzidas de forma independente e autônoma. A ACREFI – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações e projeções próprias inseridas, bem como não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório e de informar o leitor.

 


FINANCEIRO ACREFI
Economia – Crédito – Indicadores & Projeções
Ano III – 53   20 fevereiro 2018
por Nicola Tingas, consultor econômico
nicolatingas@acrefi.org.br

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